Pais com autoconhecimento lidam melhor com seus filhos
Continuamos falando da inteligência emocional (IE), agora trazendo o início do caminho para o desenvolvimento dela em cada um de nós, pais. Um convite para você se conhecer melhor, ter autoconhecimento. Já aprendemos anteriormente que a inteligência emocional está extremamente ligada aos relacionamentos. Ela não pode ficar distante das nossas vidas, especialmente quando se trata da relação com nossos filhos.
Quando a pessoa expande sua inteligência emocional, estão presentes e visíveis vários traços positivos na pessoa como: a clareza do falar, a abertura para exposição ao outro, a abertura para receber feedbacks, a escuta intencional, a autoestima, autoanálise, a autoaceitação e aceitação do outro, foco e produtividade, clareza do objetivo e propósito, automotivação, autorresponsabilidade e a lista é grande. O ego fica equilibrado.
Ou seja, quanto maior a inteligência emocional menor a chance de sabotar a vida pessoal e profissional porque ela traz um desenvolvimento humano maravilhoso aos pais. Os valores humanos crescem, crenças positivas se instalam, padrões comportamentais ficam saudáveis e a harmonia vira uma realidade entre pais e filhos.
As brigas diminuem, as barreiras interpessoais caem por terra, os resultados nas metas aumentam, existe cooperação coletiva, ninguém na família ou em outros grupos com elevada IE cai em jogos nas relações e adota mecanismos de defesa como negação, recalque, projeção, mentira, sedução, tipos de manipulação, bode expiatório, culpa, etc.
Estes traços do inconsciente se estão presentes nos pais atrapalham muito o desenvolvimento dos seus filhos.
Curiosidade
Muita gente acredita que é a aptidão intelectual (QI) que define o sucesso nosso. Não é assim! Quantos exemplos nós vemos de pessoas muito inteligentes, mas com pouca ou sem habilidade em controle emocional, em comunicação e relacionamentos?
Pessoas com alto QI não significa que sabem se relacionar. Vamos entender melhor isso. Segundo Goleman, o QI é responsável pelo 20% do sucesso. Outros fatores representam o 80% do sucesso da pessoa e entre eles, está o QE, que é o quociente emocional.
Não é que você tenha que escolher entre ter um alto QI ou um alto QE. Mas é a união desses dois cérebros – racional e emocional que determinarão nosso sucesso.
Autoconhecimento – o caminho para a IE começa
Nosso caminho terá 5 passos para desenvolver a inteligência emocional e aqui ele começa através do autoconhecimento. Esse start não é fácil nem muito praticado pra ser bem sincera. Os pais sabem mais falar dos filhos do que deles mesmos. Mas quando se trata de falar sobre quem eles são, não conseguem se definir muito bem. Isso é comum no trabalho de consultório.
Passamos a maior parte do tempo concentrando nosso olhar para o lado de fora, passando muito tempo no celular assistindo notícias e vidas alheias, vendo filmes, resolvendo questões dos outros, trabalhando, percebendo o nosso mundo exterior e, quando deveríamos dedicar a maior parte do tempo em perceber o nosso universo interior.
Acredito fortemente que os filhos são espelhos nossos. Por isso, com eles, temos uma grande oportunidade para construir o nosso autoconhecimento. Mas a verdade é que os pais não se dedicam muito para ele.
A cada dia mais, eu me convenço que as pessoas não se conhecem como poderiam e a cada momento do crescimento se distanciam de sua essência. Mas a boa notícia é que hoje nós temos ferramentas que nossos pais não tinham para isso. Nós podemos acessar o autoconhecimento. Nós podemos deixar um legado através do nosso aperfeiçoamento humano.
Estudando, aprendendo, errando, treinando e praticando novos padrões de relacionamento com os seus filhos e consigo mesmo, os pais poderão criar novos e futuros pais mais equilibrados para as próximas gerações de nossas famílias.
O autoconhecimento começa desde quando a gente nasce
Desde que nascemos temos 2 necessidades vitais fisiológicas (sede, respirar, fome, sono, urinar, defecar…) e psicológicas (acolhimento, atenção, ser ouvido, ser perdoado, compreensão…). Será através destas necessidades que vamos criando um elo de relação entre pais e filhos e, assim vamos construindo o autoconhecimento.
Os filhos dependem de como os pais lidaram com eles em tais necessidades para se autoconhecerem e os pais também o mesmo processo, quando eles foram filhos. Por isso, que a relação entre pais e filhos traz a nós, pais a oportunidade para novamente fazer essa parentalidade com nós mesmos, gerando maior autoconhecimento.
Quero trazer dois fundamentos para o autoconhecimento: autoimagem e autoestima.
- A autoimagem se concretiza através do sentimento de ser importante. Sentir-se importante tem a ver com 2 comportamentos dos adultos com os filhos: o feedback e o limite.
O feedback é o que os pais falam e como falam com seus filhos. Isso vai formando a imagem da criança. Formamos nossa imagem, nosso conceito através do que falaram sobre mim. Quem são essas pessoas? Pais, irmãos, professores e amigos. E a outra atitude para sentir que somos importantes é o limite. Como dizia Içami Tiba, o limite é dizer o não e o sim de forma justificada, entendida e mantida. Os filhos quando pequenos não tem autorregulação, precisam de limites, uma forma de proteger e educar a relação. Os pais devem manter essa atitude para ter credibilidade frente aos filhos, e traz segurança a eles, reforçam que se importam com eles e como colocar limites nas relações. - A autoestima tem a ver com o sentimento de ser amado. Este vem através dos cuidados que os filhos recebem dos pais nas 2 necessidades comentadas acima, fisiológicas e psicológicas. Quando os pais levam o filho na escola, alimentam, dão carinho e atenção, cobrem quando estão com frio, ajudam suas necessidades, ouvem o que querem falar, interagem.
Quando concluímos a autoimagem e a autoestima, aprendemos a reconhecer nossas emoções, que é a inteligência intrapessoal. Podemos dizer que temos o alicerce para o autoconhecimento, isso acontece até os 7 anos de idade aproximadamente.
Depois começa uma segunda infância, que será até os 14 anos para desenvolver o conhecimento do outro. Por isso, quando essa primeira fase não é bem-feita, os filhos podem após os 7 anos, ao invés de começarem a ser altruístas (pensar no coletivo) só pensar ainda neles, sendo egoístas e dependentes nas relações.
O ego é a clareza do eu. Se isso não acontecer, a formação do ego equilibrada, aquele filho se tornará um adulto muito egoísta, que precisa de reconhecimento e não saberá se relacionar futuramente com seus filhos.
Concluindo
Trabalhando o seu autoconhecimento, automaticamente você estará sabendo como impactar de forma positiva no autoconhecimento dos seus filhos. Se você sente dúvidas, talvez possam faltar mais informações sobre o seu desenvolvimento e dos seus filhos, ferramentas para lidar com eles e entender seus processos internos que estão por detrás dessa relação parental.
Por isso, continue aqui aprendendo e interagindo sobre suas experiências.
Obrigada por este tempo comigo, foi ótimo darmos um start para sua inteligência emocional! E se fez bem pra você, com certeza poderá fazer bem para muitos pais, ficarei feliz que nos ajude a disseminar este conteúdo com mais pessoas.
Até o próximo, que vamos trazer a aplicação do autoconhecimento para controlar suas emoções, que se chama a inteligência intrapessoal.
Referências:
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
TIBA, Içami. Disciplina, Limite na medida certa. 41ª ed. São Paulo: Gente, 1996.