Saúde Emocional

 

Depressão é um assunto muito sério! Ela não é apenas uma tristeza, podendo ser confundida com uma fadiga ou um abatimento emocional porque algo de externo aconteceu.

Existem situações em que pessoas têm o hábito de subestimar a dor do outro, quando alguém pede ajuda, chora e diz sentir-se deprimido. Apesar disso, elas não ajudam o próximo e até podem piorar a situação.

Neste caso, existe uma falta de compreensão e empatia com o outro, interpretações equivocadas ou como se a pessoa não pudesse estar assim, afinal nada de ruim está acontecendo. Antes de mais nada, entendamos que a depressão é sim considerada uma doença mental, que quando grave pode ser letal, levando o indivíduo a cometer o suicídio.

O que é a depressão

Em primeiro lugar, considerada como o “mal do século”, a depressão a cada dia atinge mais pessoas, ela é prevalecente na população em geral. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a quantidade de casos cresceu 18% em 10 anos e atualmente em 2020, ela é a doença mais incapacitante do planeta.

Além disso, ainda de acordo com a OMS, o Brasil é o campeão de casos de depressão na América Latina: quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com a doença.

Afinal, ela é um transtorno de humor, um distúrbio mental caracterizado por um profundo sofrimento psíquico, que compromete a ordem psicológica e põe em risco a saúde física em geral. Também, os relacionamentos, o trabalho e os prazeres da vida. Contudo, ela pode afetar o bem-estar, os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos.

Causas

Apesar de não existir exames laboratoriais específicos para o diagnóstico da depressão, ele pode ser feito clinicamente com um médico da saúde mental, após coleta completa da história do paciente e realização de um exame do estado mental. Os fatores que causam as depressão são filogenéticos, ontogenéticos, sócio-culturais e químicos.

  1. Filogenéticos. Há predisposição de genes na estrutura do dna, quando na família tem relatos de transtornos psiquiátricos. Segundo o Ministério de Saúde no Brasil, estudos com famílias, gêmeos e adotados indicam a existência de um componente genético. Estima-se que esse componente represente 40% da suscetibilidade para desenvolver depressão.
  2. Ontogenéticos. Têm a ver com o histórico de desenvolvimento e aprendizado da pessoa. Teve um ambiente sem afeto, carinho, sem atenção, ausência de pais ou pais extremamente protetores. Sofreu ameaças, brigas conjugais, punições severas, teve uma estrutura familiar, escolar e de trabalho com exigências altas e urgências.
  3. Sócio-culturais. É quando acontecem eventos estressantes, mudanças bruscas de vida, problemas financeiros, de trabalho, de relacionamentos, de doenças. Passou por perdas de entes queridos, separação, luto, traumas. Também ao existir a dependência de álcool, tabagismo e drogas.
  4. Químicos. Quando a pessoa tem alterações em sua estrutura química, apresentando uma disfunção hormonal. Ou seja, deficiência de alguns neurotransmissores essenciais para a saúde, entre eles, a Noradrenalina, Serotonina e Dopamina que estão envolvidos na regulação da pessoa.

Depressão sorridente ou escondida

Inclusive, ela pode estar presente em pessoas que parecem alegres. Chamamos no campo da Psicologia, de depressão sorridente. Mas como assim? Você poderá perguntar… Por exemplo, você pode encontrar uma amiga ou familiar e perguntar como está e ela dizer “tudo bem” com um sorriso. Mas você sabe que algo não está bem e, mesmo assim, aceita e muda o rumo da conversa.

Não devemos associar a depressão a apenas estar na cama, não trabalhar, chorar com frequência ou estar cabisbaixo. Isso é um clichê comum. Frequentemente, a depressão está oculta e disfarçada. Existem muitos artigos científicos que concordam em suas pesquisas que em torno de 71% das pessoas deprimidas não parecem estar, se escondem por detrás de comportamentos atípicos da depressão.

Quem são essas pessoas

Assim como, pode esconder a depressão, a pessoa super extrovertida por rir demais, fazer piadas de tudo, falar muito do seu passado e enfatizar que está bem em todo tempo de forma exagerada é essa pessoa. Ser obsessivamente sociável ,querendo marcar encontros, estar em eventos a todo custo. Por isso, ela não consegue estar sozinha e, tem hábitos alimentares totalmente bagunçados, dormindo muito pouco.

Em contrapartida, as pessoas introvertidas também podem apresentar uma depressão velada, guardam para si suas preocupações, guardam seus problemas em sete chaves, têm dificuldades de falar sobre suas emoções.

Da mesma forma, as pessoas que têm uma boa família, parecendo ser a família “perfeita” e ter a vida “perfeita” podem sofrer depressão. Até mesmo, aquelas bem-sucedidas em suas carreiras, que ocupam um lugar de destaque na vida profissional.

Os famosos e outros

Igualmente, aquelas com muitas amizades, namorados, uma vida social bastante interessante podem ter depressão. Além disso, até os famosos, humoristas, youtubers podem ter a doença e não saber ou escolher por esconder, não contar a ninguém.Temos exemplos de artistas conhecidos como Jim Carrey, Chico Anysio, Stephen Fry e Eduardo Sterblitch, Whindersson. Estes já falaram abertamente sobre o problema. Para Robin Williams e Fausto Fanti a depressão resultou em fins trágicos.

Ainda assim, quem pode esconder a depressão são as pessoas perfeccionistas e hiper responsáveis, que se exigem além da conta, tem senso de urgência e controle, acreditam que não podem falhar em nada. Elas nunca estão satisfeitas com seus resultados de vida ou carreira, criticam muito terceiros e a si mesmas, carregam o mundo nas costas.

E, pior que pensam que se elas caírem, tudo e todos vão cair junto, se cobram demais, não aceitam ser vulneráveis e sentem-se culpadas pelas coisas darem errado com os outros e com elas.

O doutor psiquiatra Deepack Chopra, nos auxilia a entender isso através de um livro chamado “O efeito sombra“. As pessoas quanto mais mergulham em frequências emocionais baixas, como a tristeza, desânimo, culpa, mais provável que elas busquem subterfúgios. Ou seja, existe um mecanismo de defesa inconsciente que faz com que a pessoa negue a doença, ela se esforça para parecer ótima e sempre feliz.

Sintomas mentais da depressão

Geralmente, a pessoa depressiva tem um humor afetado, um sofrimento, uma dor emocional. Ela sente culpa, acha que é um peso na vida das pessoas, se queixa de sensação de vazio, o mundo é percebido sem cores, sem sentido. Frequentemente, sente-se incapaz, tem perda de identidade, se menospreza em tudo. Além disso, avalia o mundo, o futuro e ela própria da pior forma.

Igualmente, ela percebe as dificuldades como barreiras intransponíveis, mostrando uma incredulidade, desesperança. Isto é, abandonando o esforço em prosseguir, chegando a desejar colocar um fim no que sente, idealizando a morte.

Por isso, os pensamentos e ideações suicidas intensificam entre desejo até planos de se matar. Ao longo do dia, sentimentos de tristeza e abandono do eu, deixando de querer fazer suas atividades de rotina e de prazer.

Também, a depressão diminui a libido, reduzindo seu interesse sexual, altera o apetite.  E além disso, a pessoa tem dificuldade cognitiva de atenção, perde a capacidade do foco e da concentração. Começa a esquecer das coisas que normalmente não esqueceria (compromisso, horário, nomes próximos). E seu comportamento de responsabilidade muda, procrastinando deveres  e responsabilidades, como também, se isolando socialmente.

Sintomas físicos da depressão

Às vezes, a pessoa depressiva por perder ou aumentar o apetite, a pode ganhar ou diminuir o peso em até 10% dele, no mês. Simultaneamente, podem acontecer alterações psicomotoras (agitação ou lentidão).

Também, pode apresentar retardo motor, falta de energia, preguiça ou cansaço excessivo, falta de vontade e de iniciativa. Como um esgotamento como se fez um exercício intenso, um peso no corpo até pra se levantar da cama.

Ao passo que, ela perde o sono (insônia) ou sente muito sono (hipersonia), como também, tem uma sonolência. Outras partes do corpo também alteram, os músculos ficam tensos, há queixas de dores. Também, há sintomas físicos difusos como mal-estar, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia, sudorese.

Tratamento da depressão

Tem tratamento! Depois de chegar no fundo do poço, a direção é somente para cima. O tratamento é medicamentoso e psicoterápico. A escolha do antidepressivo depende do subtipo da depressão, nos antecedentes pessoais e familiares, da boa resposta ao antidepressivo e, da presença ou não de doenças clínicas.

Em relação a psicoterapia, importante ter uma consistência e que a abordagem seja a Terapia Cognitiva Comportamental. Esta é a ideal e que tem maior taxa de melhora, porque trabalha em base a estímulos, gatilhos e mudanças cognitivas. Também, treina o cérebro aos pensamentos e comportamentos positivos.

Acima de tudo, deve ser feito um plano de tratamento, que ele seja multidisciplinar e que a sua adesão pelo paciente seja 100%. Pelo contrário, uma vez interrompido por conta próprio ou uso inadequado da medicação, pode aumentar significativamente o risco de cronicidade.

Nesse sentido, o tratamento pode ser realizado na atenção primária, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos ambulatórios especializados e consultas particulares. Contudo, é fundamental que ele seja com profissionais especializados.

Todavia, associar o tratamento a regular atividade física e alimentação serotoninérgica (alimentos que aumentam os neurotransmissores) é muito importante. E manter hábitos como rotina através de oração, visualização mental, introduzir estímulos e gatilhos positivos como a música, contato com animais e natureza.

Junto a isso, fazer atividades voluntárias, cercar-se de amigos, dar boas risadas, agendar coisas prazerosas, ligar pra alguém, ver um filme, anotar coisas positivas do dia e agradecer.

Fingir ser feliz não é a solução

Importante estar ciente de que as emoções negativas não desaparecem fingindo que se está feliz, elas devem ser abordadas. Conversar sobre o que se sente é extremamente terapêutico.

Aceitar o diagnóstico da depressão e que precisa de ajuda é o primeiro e grande passo. Ocultar ou evitar o problema não fará com que ele seja corrigido, muito menos e pior fingir outra coisa, criando máscaras ou vícios.

Além disso, você também deve saber que a depressão não é resolvida somente dentro dos muros da psicoterapia e fármacos. A família e os amigos podem desempenhar um papel importante, desde que assumam uma atitude de apoio. Ou seja, não reclamem, subestimem e julguem quem está deprimido.

Por outro lado, se você conhece alguém que tenta esconder a depressão, fale com essa pessoa. Não a pressione a falar sobre sua situação porque, dessa forma, ele provavelmente se fechará ainda mais.

Em vez disso, mostre sua vulnerabilidade e conte seus problemas. Desta forma, você poderá se conectar emocionalmente e será mais fácil para ela se sentir identificada com suas dificuldades e contar as dela.