Pais e Filhos

Continuamos falando sobre a inteligência interpessoal, a habilidade de estabelecer relacionamentos com os outros e alcançar crescimento em conjunto. Nós não vivemos isolados, precisamos uns dos outros. Mas nem sempre é fácil construir pontes com as pessoas, entender elas, responder aos seus humores e, podemos encontrar dificuldades em criar, manter e conservar relações saudáveis.

Mas como diz Içami Tiba, “A educação Relacional deveria partir do ponto de vista de que perante a natureza todos os seres humanos são iguais e as diferenças existentes não se medem por superioridade ou inferioridade, melhor ou pior, mas sim por graus de desenvolvimento”. Por isso, importante a gente refletir sobre lidar com o outro nem sempre é encontrar alguém igual a nós, principalmente se tratando de filhos.

Os pais querem que seus filhos sejam iguais a eles e isso funciona com todas as pessoas, motivo pelo qual as brigam e conflitos acontecem. Aceitar que os outros estão em desenvolvimento e nós também, me facilita em gerenciar os outros e suspender expectativas, mas conduzir as pessoas a aprenderem com a gente.

 

Inteligência e seus benefícios

Saiba que quanto mais temos a inteligência interpessoal, maior o nosso poder pessoal em liderar e gerenciar as relações em prol de resultados positivos, metas e bem estar mútuo. Todas as pessoas que exercem algum papel de liderança devem ter esta competência bem desenvolvida para gerenciar não apenas situações, mas especialmente as pessoas do seu grupo. Tratando-se dos pais, é imprescindível conhecer bem seus filhos e lidar bem com eles para garantir a harmonia familiar e um futuro promissor de saúde mental e emocional dos filhos.

No caso de chefes, também é essencial porque a saúde emocional dos trabalhadores depende totalmente dessa inteligência no líder, muito da forma como o líder os dirige e trata com eles. Especialmente, como se comunica, quando discorda de algo, como ensina e como ajuda os outros a desenvolverem o seu potencial.

Existem as pessoas, que sem ocupar cargos de liderança, já sabem lidar com os outros de forma fácil e responder de forma adequada aos comportamentos e emoções deles, elas já são dotadas desta inteligência. Quem é interpessoal interage bem mais com sua família, amigos e colegas de trabalho, sabe debater sem brigar, é sociável, um bom ouvinte, influencia os outros. E gosta de ensinar, liderar, dirigir e gerenciar os outros. O engajamento dos outros é bem maior quando se trata de um projeto, mudança, atingir metas quando se tem alguém interpessoal gerenciando.

 

Inteligência Inter associada a Intra

Assim, sendo mais interpessoal, a pessoa aprende mais nessa interação com os outros e se desenvolve cognitivamente. Mas como sempre costumo dizer, todo excesso é veneno e, para todo excesso sempre haverá uma falta.

Neste caso, ser demais interpessoal pode limitar a pessoa a sempre precisar estar em grupo, depender dos outros. Pode faltar nesta pessoa a concentração para estar ou produzir sozinha, trabalhar e estudar a distância. E também, poderá controlar demais os outros e ter sentimento de posse, o que demonstra falta de autossegurança. E na questão emocional, pode manipular os outros para atingir seu equilíbrio emocional, porque faltar este auto cuidado.

Contudo, a inteligência interpessoal só será bem sucedida na sua prática em relacionamentos quando a pessoa possui também a intrapessoal. Quando esta se conhece e sabe se sentir feliz, sabe o que gosta, tem suas convicções, sabe controlar suas expectativas e apaziguar suas frustrações, sabe tomar decisões. Assim, a pessoa não vai apelar para ameaças ou chantagens emocionais com os outros.

Ensino melhor sobre a inteligência intrapessoal nos posts anteriores, aonde você poderá aprender mais como se autoconhecer e se gerenciar, se autoliderar. Esta é a primeira fase para sermos inteligentes emocionalmente. Você pode depois, ler também em nosso blog sobre Inteligência emocional , inteligência intrapessoal parte 1 e parte 2.

 

Atitudes para ser mais interpessoal

 

  • Ser curioso diante do outro

Faça perguntas, mas não sobre o quê e sim sobre o porquê, para quê. Investigue e se aprofunde nas conversas com seus filhos. Pergunte sobre como se sentem, aonde, como foi que aconteceu. Ajude o outro a se expor mais, reconhecer nele suas qualidades e fraquezas, ajude o outro a pensar.

 

  • Estimule o outro a tomar decisões

As pessoas aprendem mais quando elas trazem suas reflexões e respostas de dentro. Não costume dizer o que fazer ou como fazer, mas pergunte a elas qual a solução. Fazer perguntas poderosas que levem a reflexão, ao posicionamento, a trazer seus talentos reprimidos ou inconscientes, assim você estará ajudando a pessoa a se autoconhecer.

 

  • Escute o outro

Ouvir a opinião do outro pode fazer toda a diferença em sua percepção e em sua vida como um todo. Muitas vezes, só conseguimos evoluir em alguma área quando nos abrimos a ouvir e aprender com os outros. Perceba sua linguagem corporal.

 

  • Aceite as discordâncias e reflita

As pessoas têm o direito de dizerem o que elas querem. Se existe algo que me ofende, é porque eu concordo. Talvez você também pense assim sobre você. Toda vez que me incomodo muito com o outro, sugere um convite para eu me observar mais e me transformar, como já ouvi essa lição de Carl Gustav Jung.

 

  • Postura diante do outro

Para criar a sinergia com a pessoa e se vincular mais a ela, trago uma contribuição de Robert Dilts e Steve Giligan sobre o estado mental que devemos ter frente aos outros. Estado COACH – Centered (Centrado), Open (Aberto), Aware (Consciente), Connected (Conectado), Holding (Mantendo a sinergia). Essa postura aproxima e gera maior reciprocidade e correspondência no diálogo e fornece a capacidade de conhecer melhor o outro e gerenciar ele.

 

  • Se expresse com autenticidade

Fale suas opiniões e como se sente, mostre quem é. Seja você com o outro, sem fingir. Proceda com sinceridade e honestidade, falando a verdade com sensibilidade em relação aos outros. Atuando assim, a pessoa vai conhecer melhor você e você também vai conhecê-la mais, vocês poder progressivamente se descobrirem mais e aproveitarem melhor a relação, tirando benefícios dela em trabalho ou na vida pessoal.

De início, as pessoas ficam defensivas quando nos expomos, por não estarem habituados com sinceridade e confiança. Mas persevere! Isso vai promover uma norma de reciprocidade com o passar do tempo, obtendo mais confiança e aumentando o potencial mútuo.

 

  • Se expresse com equilíbrio

Lembre-se você não é dono da verdade. Ainda estamos em desenvolvimento, sempre. Então, ao se expor considere ser autêntico, mas sem exibicionismo. Fale sem indiretas, que suas informações sejam completas. Sem rodeios, seja direto mas sensível. Tudo o que for expressar, embase, tenha suporte para o que falar. Evite voltar atrás em questões do passado, sem ser retórico.

 

  • Dê feedbacks ao outro

O outro precisa de seus feedbacks para ele se desenvolver e progredir no pessoal e profissional. Fale de suas qualidade e pontos de melhoria. Elogie o processo, os atos e não coloque adjetivos. Seja direto, fale fatos do presente, separe a questão do indivíduo, dê a ênfase ao ato individual sem envolver terceiros. Seja descritivo e não avaliativo. Solicite mudanças (é possível?) e não imponha. Facilite se dispondo a ensinar.

 

  • Receba feedbacks do outro

Pedir a opinião do outro, perguntar seu feedback é demais! Pergunte ao seu filho, como estou indo como pai ou mãe, o que eles acham de você (ponto fortes e fracos). Ouça o que o outro tem a dizer sobre você, isso contribui muito para que você amplifique seu autoconhecimento e o outro aumente sua exposição.

Mas considere sempre ter uma atitude receptiva e não reativa, querendo se defender ou justificar. Peça esclarecimento ou repita o que a pessoa te disse, caso ficar em dúvida ou não concorda. Peça exemplos para você enxergar melhor o que o outro está expondo e cheque com outras pessoas se elas pensam o mesmo.

 

  • Compreenda o outro

Saiba que ele não é você. Ele tem um histórico, uma bagagem. Compreender pede diálogo, interação, perguntar, ouvir e falar. Por isso, de frente a um erro, ou frustração de uma expectativa sua, perdoe a pessoa, mas expresse como se sentiu e peça melhorias. Mas sempre compreenda, tudo tem uma lógica por detrás dos comportamentos.

Obrigada por me acompanhar nesta leitura, espero que tenha ajudado para completar sua inteligência emocional, sendo mais interpessoal, sabendo se relacionar. Agora, lembre-se nada é funcional se não for aplicado! Então vamos colocar em prática para treinar seu desenvolvimento. Até um próximo conteúdo!